Chamo-me Francisco José Marçal Veiga e, olhando para trás, a minha vida tem sido uma espécie de caça ao tesouro académica e geográfica, onde o único mapa disponível parecia ser o meu próprio instinto.
Sobre a minha pessoa...
Tudo começou na pacata e acolhedora Vila de Izeda, embora a minha certidão de nascimento dite que sou natural de Macedo de Cavaleiros. A minha infância por lá foi boa, mas curta no que toca ao aconchego do lar: aos tenros 9 anos, recém-saído da antiga escola primária (o 1.º ciclo), fiz as malas e fiz-me à estrada. O destino? O Seminário de Balsemão, onde curvei a espinha no 5.º e 6.º ano. Dali, rumei a Lamego para cumprir calendário até ao antigo 7.º ano (o atual 11.º). Como o bicho das viagens já tinha pegado, o passo seguinte foi o Porto, mais concretamente o Liceu António Nobre, para terminar o secundário. Mas o destino gosta de rir e eu também: percebendo que a mística da área onde estava não era bem o meu futuro, regressei a Bragança para fazer o 12.º ano outra vez, mas agora com os olhos postos nas ciências socioeconómicas.
Mas para quê parar quando se pode continuar a estudar? Larguei o emprego, pedi equivalências e atirei-me de cabeça ao curso de Professores do Ensino Básico (1.º ciclo) no Instituto Jean Piaget – Nordeste. Pelo meio, para não me aborrecer, ainda acumulava funções como orientador de estágios do curso que tinha acabado de tirar. E como quem faz o 1.º ciclo também pode dar asas à criatividade, engatei logo a licenciatura na variante de Educação Visual e Tecnológica, canudo que agarrei a 2 de julho de 1998. Ah, e para garantir que a minha vida não tinha tempos mortos, neste mesmo período ainda arranjei espaço na agenda para ser elemento ativo dos Bombeiros Voluntários de Izeda e socorrista da Cruz Vermelha. Se era para ajudar, era para ajudar a tempo inteiro!
Com a licenciatura na mão, começou a verdadeira “Volta a Portugal” no ensino. Estriei-me a 1 de setembro de 1998 na Escola Básica Virgínia Moura, em Moreira de Cónegos. Em 2001, mudei-me para o Agrupamento de Escolas de Mondim de Basto; em 2003, rumei ao Agrupamento de Escolas do Pinheiro, em Penafiel; e, em 2009, voltei a Mondim de Basto, que acabou por ser a minha “casa-mãe” até 2024. Ali, assumi o papel de Coordenador do grupo disciplinar de EVT e tomei conta das instalações da disciplina (basicamente, o guardião dos lápis, dos esquadros e da ordem).
Entrados os anos 90, decidi dar um descanso aos livros — ou assim pensava eu. Trabalhei durante quatro anos na antiga Escola Agrícola de Izeda, que funcionava como escola de Reinserção Social para menores. Foi aí que a vocação social bateu mais forte. Ativei o modo “multitask” e, como trabalhador-estudante, fiz o curso de Educadores de Infância, terminando-o em setembro de 1995.
Contudo, o meu espírito nómada nunca sossegou e os anos seguintes foram passados em destacamentos “estratégicos”. Passei pelo Agrupamento de Mirandela e por Macedo de Cavaleiros — a minha terra natal. Em Macedo, estive primeiro com as desafiantes turmas PIEF e, mais tarde, como docente de EV e ET, onde coordenei a área de Educação Tecnológica, e ajudei a fundar o Clube de Artes “QUE CENAS”, uma bela e colorida fusão com colegas de Educação Musical, Português, História e Inglês. Pelo meio, ainda dei um salto a Chaves, no Agrupamento Dr. Júlio Martins, onde me deram a responsabilidade de ser o Coordenador de toda a área do Ensino Profissional. Por fim, o meu GPS profissional levou-me ao Agrupamento de Alfândega da Fé, onde encerrei este capítulo desenvolvendo, em equipa, mais um Clube de Artes, desta vez orgulhosamente inserido no Plano Nacional das Artes.
Importa referir que, independentemente da latitude ou do Agrupamento por onde passei, houve uma missão que me acompanhou sempre: em todos eles desempenhei, em diversas ocasiões, o cargo de Diretor de Turma. E quem anda nestas andanças sabe bem o que isso corre nas veias: assumi todas as funções decorrentes do cargo, desde o acompanhamento próximo dos alunos através de longas e valiosas conversas, até às reuniões com os encarregados de educação e com os restantes elementos dos conselhos de turma. No fundo, fui um bocado psicólogo, conselheiro, mediador e diplomata.
E quando parecia que o mapa já estava todo preenchido, os últimos dois anos escolares trouxeram-me um novo poiso: passei a pertencer ao quadro do Agrupamento de Escolas de Mogadouro. Numa feliz coincidência, Mogadouro foi elevada a cidade precisamente no ano em que aqui cheguei — claramente uma receção à minha altura! Esta terra não me é, de todo, estranha. Primeiro, pela proximidade a Izeda, o berço da minha infância. Segundo, e mais importante, pela qualidade incrível de amigos e antigos colegas de carteira que partilharam comigo os bancos dos vários estabelecimentos de ensino por onde andei. São gentes de Mogadouro que guardo no coração e que nunca esqueci, às quais se vieram somar as novas amizades que fiz nestes dois últimos anos e com quem tenho o prazer e sorte de trabalhar— provando que o meu círculo de afetos nunca para de crescer. Por aqui, continuo a espalhar a minha veia artística, desempenhando atualmente as funções de Coordenador do Plano Cultural de Escola / Plano Nacional das Artes.
Olhando para trás, entre fardas de bombeiro, bibe de educador, giz, plasticina e muitas pinceladas, a verdade é que nunca me limitei a ocupar cargos: vivi-os todos com a energia de quem sabe que a educação se faz com arte, resiliência e, acima de tudo, muita pedalada!
